Vinhos Côtes-du-Rhône – França

Vinhos Côtes-du-Rhône – França

Hoje vamos falar de região vitivínicola francesa de Côtes-du-Rhône que fica no sudeste do país entre as cidade de Lyon e a região da Provença, onde o cultivo e a produção dos vinhos se extendem nas duas margens do rio Rhône.

A zona vinícola tem 200 km se extendendo por uma linha quase reta do norte em direção ao sul, no qual a esquerda da região encontramos o Maciço Central, a direita os Alpes, ao norte a cidade de Vienne e ao sul a cidade de Avignon.

As classificações dos vinhos franceses são realmente um pouco mais complicadas de entender quando comparamos, por exemplo, com outros países. Porém, vamos explicar tudo, e quando você estiver com um rótulo dessa região possa entender sobre o vinho que está tomando (variedades de uvas comuns na região, as características dos vinhos de cada região e etc…).

A região vitivinícola

A região do Vale do Rhône tem mais de 73.000 hectáres de vinhedos, sendo a segunda maior região em extensão da França, ficando atrás apenas de Bordeuax, e produz na sua grande maioria vinhos tintos, alguns brancos secos, rosés, espumantes e VDN (vinhos doces naturais – ou em francês Vins Doux Naturels).

O Côtes du Rhône é dividido entre a região norte (Setentrional) e sul (Meridional), apresentando vinhos com características diferentes, pois as duas regiões apresentam clima, relevo e solo bem distintos.

A maior parte da produção provém de cooperativas e a outra parte de vinícolas particulares.

Côtes-du-Rhône norte (setentrional):

  • Todas as zonas produtoras do norte se encontram na margem direita do rio Rhône, com exceção de Crozes-Hermitage;
  • Essa região é responsável por menos de 10% da produção total do vale do Rhône;
  • Solo: pedregoso de granito decomposto, que contribui para o bom desenvolvimento das videiras plantadas em terraços através de curvas de nível no relevo irregular;
  • Clima: é continental com verões quentes e invernos bastante frios. Destacamos a presença do Mistral, um vento frio, seco e forte que atinge o vale do Rhône no inverno e primavera, provocando um contraste térmico positivo para os vinhedos;
  • As videiras apresentam um sistema de condução que melhora a incidência de luz solar na planta;
  • Variedade de uvas tintas: a Syrah predomina na parte norte, porém encontarmos também a Grenache (Garnacha) e a Mourvèdre. E em quantidade muito pequena a Cinsault e a Carignan;
  • Variedades de uvas brancas: Marsanne, Viogner, Clairette, Grenache Blanc, Roussannne, Counnoise e Bourboulenc;
  • Há um predomínio de vinhos monovarietais;
  • São vinhos geralmente com volume, muito frutados, bem complexos e com excelente capacidade para o envelhecimento;
  • Os Côte Rôtie (uma Denominação de Origem da região norte) são vinhos mais sutis e o Hermitage tinto mais consistente e tânico.

As regiões que formam a parte norte são:

  • Côte Rôtie: vinhedo mais antigo do Côtes du Rhône, cultivados em terraços.
    1. No passado o dono daquelas terras (Maugiron de Ampuis) fez um testamento dividindo os vinhedos entre suas duas filhas, uma loira e uma morena. Daí vem o nome dos vinhedos atuais: Côte-Blonde – ladeiras de terras mais amarelas e Côte-Brune – ladeiras de terras com coloração mais marrom.
    2. Só produz vinhos a partir da variedade tinta Syrah que pode conter também um pouco da variedade Viogner (máximo de 20%).
    3. São vinhos finos cotados como um dos melhores da França, com taninos firmes, aromas delicados de framboesa, violeta, especiarias e são bem estruturados.
  • AOC Condrieu: quem assume destaque aqui são os vinhos brancos secos ou doces (uvas de colheita tardia e botritizadas) elaborados a partir da variedade Viogner.
    1. Região com solo de granito em pedaços pequenos e arenosos que dão carácter específico aos vinhos dessa região que são muito perfumados, com aromas florais e de frutas como damasco.
  • AOC Château Grillet: é uma denominação de origem bem pequena situada as margens direita do Rhône. Se elabora somente vinhos brancos a partir da variedade Viogner, sendo que os vinhos são bem diferentes de Condrieu, pois apresenta mais untuosidade, cor intensa, aromas de damasco e mel com paladar marcado por amêndoas, resultado do amadurecimento dos vinhos em barricas de carvalho.
  • AOC Saint-Joseph: vinhedos localizados em ladeiras de granito. Os vinhos tintos elaborados com a variedade Syrah são mais ligeiros e os brancos são produzidos a partir das variedade de uvas Roussanne e Marsanne.
  • AOC Cornas: vinhedos cultivados em solos de limo e terraços de granito em ladeiras com grande inclinação.
    1. O clima é ensolarado sofrendo influências continentais e mediterrâneas.
    2. Os vinhos são elaborados a partir da Syrah apresentando um carácter mais firme.
  • AOC Saint-Péray: é uma denominação de origem dedicada a vinhos brancos tranquilos e espumantes a partir das variedades Roussanne e Marsanne.
    1. O solo da região é composto de granito, loess e pedras calizas.
    2. O clima é em geral continental mais quente.
  • Hermitage: considerado um dos vinhos com mais prestígio da França e do mundo.
    1. O nome Hermitage vem de uma ermita construída em 1224 por um cavaleiro medieval que voltando de uma Cruzada decidiu viver ali o resto dos seus dias meditando e desfrutando do vinho que ele produzia. Depois disso outros seguiram seu exemplo e então surgiu o vinho Hermitage.
    2. Os vinhedos estão situados nas margens e nas encostas da montanha Hermitage com terrenos principalmente graníticos.
    3. O clima é continental com um bom nível de insolação.
    4. O Hermitage é elaborado com a uva Syrah produzindo vinhos encorpados e concentrados com uma boa capacidade de envelhecimento.
    5. As variedades brancas permitidas são a Roussanne e a Marsanne que geram vinhos carnosos que podem ter também longevidade além de aromas de amêndoas, frutas e toques florais.
  • Crozes-Hermitage: situada na margem esquerda do Rhône possui solos mais ricos que Hermitage porém seus vinhos tem menos força que seu vizinho.
    1. Os tintos são frutados, aromáticos e em geral para serem consumidos jovens, porém atualmente há produtores elaborando vinhos Crozes-Hermitage mais sérios com um potencial de guarda de até dez anos.
    2. Os brancos são secos, frescos com aromas florais elaborados também com a Marsanne e a Roussanne.

Côtes-du-Rhône sul:

  • Em geral se produz vinhos tintos, brancos e rosés. São vinhos de vários estilos e qualidades e a maioria são da denominação de origem básica Côtes du Rhône. Porém encontramos alguns tesouros, que vamos ver a seguir.
  • A uva que predomina no sul é a Grenache.
  • Predomina vinhos de corte, ou seja, uma mescla de duas ou mais variedades de uvas. São vinhos geralmente mais simples e ligeiros que os da região norte. Produz bons vinhos rosés a partir da variedade Grenache e Cinsault nas denominações de origem Tavel e Lirac.
  • O destaque da região fica com os vinhos Chateuaneuff-du-Pape e Gigondas que vamos falar a seguir.
  • Clima é mais mediterrâneo com verões secos e invernos mais suaves, com muita chuva no outono e primavera.
  • O relevo é mais plano que no norte.
  • Solos de diferentes tipos: argilosos com gravas, arenosos com boa drenagem, os solos loess, que contém calcáreo e areia com destaque para os galets, que são pedras arredondadas que retém o calor durante o dia liberando-o durante as noites mais frias, ajudando assim o amadurecimento das uvas.
  • Variedades tintas mais cultivadas: Grenache, Syrah, Mourvèdre, Cinsault, Counoise, Carignan, Picpoul, Muscardin, Picardin, Terret Noir, Vaccarèse
  • Variedades brancas: Marsanne, Roussanne, Pic-pou Blanc, Viogner, Grenache Blanc, Bourboulenc.

Os vinhedos ou regiões que formam a parte sul são:

  • AOC (genéricas): Côtes du Rhône e Côtes du Rhône Villages
  • AOC (sub regiões):
    1. Châteauneuf-du-Pape: é um povoado bem charmoso e cheio de história tanto da viticultura quanto dos papas católicos que mudaram a sede do papado de Roma para Avignon século XIV.
    2. Produz vinhos brancos excelentes, porém 90% são tintos bem potentes e encorpados (graduação alcoólica em torno de 14,5%) que podem ser jovens e também apresentam um grande potencial de envelhecimento.
    3. A uva predominante é a Grenache que participa junto com a Syrah e a Mourvèdre do famoso corte GSM, típica na região.
    4. O clima da região é mediterrâneo, caracterizado por verões quentes e secos e invernos frios e húmidos.
    5. O solo predominante é de areia e argila cobertos por galets. Muitos produtores dessa denominação de origem possuem seus vinhedos em diferentes parcelas com tipos de solos distintos, elaborando mesclas e tendo assim cuvée especiais.
  • AOC Gigondas: solos calcáreos em ladeiras e terraços rochosos, produz vinhos mais aromáticos e suaves que os Châteauneuf-du-Pape e os produtores são os que mais utilizam técnicas variadas de viticultura do vale do Rhône.
    1. As variedades tintas mais usadas são: Grenache, Syrah, Mourvèdre e Carignan.
    2. A variedade branca em destaque é a Clairette.
  • AOC Côtes du Ventoux: com vinhedos ocupando 6000 hectáres, essa denominação de origem está situada nas ladeiras do Monte Ventoux, um dos mais altos da Provença.
    1. Apresenta um clima mediterrâneo com solos de pedra caliza, cascalhos e aluviais.
    2. Produz em sua maioria vinhos tintos e rosés.
    3. As uva tintas mais cultivadas são: Syrah, Grenache, Mourvèdre, Carignan e Cinsault.
    4. As variedade brancas são Clairette, Bourboulenc, Grenache Blanc e Roussanne.
  • AOC Vacqueyras: tem sua própria denominação de origen desde 1990.
    1. Possui vinhedos em 1300 hectáres.
    2. A variedade predominante é a Grenache que se mescla com um pouco de Syrah (vinho mais intenso que Gigondas), apresentando um carácter mais herbáceo e com especiarias.
    3. Possui solos em terraços de aluviais com clima quente e seco.
    4. Essa AOC também tem vinhos rosés e alguns brancos.
  • AOC Tavel: situada na margem direita do Rhône com solos calizos, pedregosos, de areia com cascalho, de cascalho com caliza e argiloso.
    1. É dessa região os grandes vinhos rosés do Rhône, frescos e diferentes produzidos a partir das variedades Grenache, Cinsault, Clairette Blanc e Noir, Picpoul, Calitor, Bourboulenc, Mourvèdre, Carignan e Syrah.
  • AOC Lirac: situada a margen direita do Rhône com terreno em terraços de solos com pedras pequenas, loess e areia.
    1. O clima é mediterrâneo
    2. Estão propondo atualmente vinhos tintos leves e frutados, além dos rosés.
  • AOC Rasteau: com solos marrons de pedra caliza e areia avermelhada,
    1. É a denominação de origem com vinhos doces naturais (VDN) rústicos e potentes.
    2. O clima é mediterrâneo bem quente e seco.
    3. Os vinhos doce são elaborados a partir da variedade Grenache, junto com a Malvasía e Macabeo.
  • AOC Côtes du Luberon: 2600 hectáres de vinhedos com solos variados.
    1. O clima é mediterrâneo com influência continental por causa da proximidade dos Alpes.
    2. Produz vinhos tintos a base das variedades Syrah e Grenache e também rosés e brancos.
  • Crus Muscat de Beaumes-de-Venise: é a denominação de origem conhecida pela elaboração de vinho doce natural produzido a partit da uva Muscat de Frontignan que tornou-se um dos Cru Côtes du Rhône.
    1. Os solos da região mais ao sul são compostos de areia e argila e ao norte, de pedras calizas.
    2. O clima é mediterrâneo, quente e seco com influência moderada do Mistral.
  • AOC Coteaux du Tricastin: situada na margem esquerda do Rhône, produz vinhos tintos encorpados de Syrah e Grenache.
    1. Os vinhos rosés são consistentes e elaborados a partir das variedades Cinsault, Grenache, Syrah e Carignan e os vinhos brancos com uvas típicas da região.
  • AOC Coteaux du Lyonnais: é uma denominação de origem desde 1984
    1. Está situada próximo a cidade de Lyon
    2. Produz vinhos brancos a partir de Chardonnay e Aligoté e tintos da variedade de uva Gamay.
  • Côtes du Vivarais: foi uma VDQS (vinhos delimitados de qualidade superior) e em 1999 transformou-se em AOC.
    1. Situada nas margens esquerda do Rhône com solo rochoso de preda caliza, cascalho e margas (argila e caliza)
    2. Clima mediterrâneo com temperaturas um pouco mais frias.
    3. Produz vinhos tintos frutados e ligeiros, para serem consumidos jovens a partir da Grenache, Syrah, Carignan e Cinsault. E também vinhos rosés a partir de Grenache, Syrah e Cinsault.
  • AOC Costières de Nimes: denominação de origem situada ao sul do vale do Rhône, bem próximo as regiões do Languedoc-Rosillón e a Provença, tendo parte dos vinhedos localizados nessas regiões.
    1. Solos formados de pedras pequenas e sílica
    2. Clima mediterrâneo com influência marítima
    3. Produz vinhos tintos potentes a partir das variedades Syrah, Grenache, Cinsault e Carignan.

As Denominações de Origem

Foi nessa região que uma das primeiras formas de regulamentações de região produtora de vinhos. Isso ocorreu devido ao prestígio que os vinhos do vale do Rhône estavam alcançando. Em 1729 os barris com vinhos da região começaram a ser identificados com as letras CDR – Côtes-du-Rhône.

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Atualmente a classificação dos vinhos Côtes du Rhône é a seguinte:

  • Côtes du Rhône: classificação genérica cujas principais variedades permitidas são:
    1. tintas: Grenache, Mourvèdre, Syrah
    2. brancas: Roussanne, Marsanne, Grenache Blanc, Bourboulenc, Clairette e Viogner
  • Côtes du Rhône Villages: tem duas categorias:
    1. somente Villages: sem citar o nome da localização (95 municípios)
    2. os que citam no rótulo o nome no município (17 melhores)
  • Crus Côtes du Rhône (aqui não existe diferença entre Gran Cru e Premier Cru): são os vinhos com grande reputação. Na etiqueta aparece o nome tradicional da zona que procede o vinho.

A história da viticultura de Côtes du Rhône

Provavelmente foram as videiras do Vale do Rhône, as mais antigas da França. Os gregos foram dominando o interior entrando pela cidade de Marselha, localizada no delta do rio Rhône e difundindo ainda mais seus conhecimentos sobre a viticultura pelo interior da França. Porém é bom lembrarmos que antes dos gregos, os fenícios já tinham passado por lá deixando também um pouco da cultura do vinho.

Durante a expansão do Império Romano, a região teve mais uma grande impulsionada da cultura vitivinícola, porém os vinhedos foram quase todos destruídos com a invasão dos bárbaros que derrotaram os romanos.

No século XX os vinhos de Côtes du Rhône alcançaram seu prestígio por conta do desenvolvimento espetacular da variedade Syrah na região.

Degustando um vinho do Côtes du Rhône

Como sempre dizemos aqui no Vinhos e Castelos, a melhor maneira de aprender sobre vinho é praticando. Trouxemos para exemplificar os vinhos dessa região francesa o rótulo Les Launes 2015 da AOC Crozes-Hermitage, do produtor Delas.

Ele é um monovarietal Syrah vinificado em tanques de concreto, passando por envelhecimento em média de 10 meses em barrica de carvalho francês já usados.

As sensações que esse Crozes-Hermitage nos despertou foram as seguintes:

  • Visão: cor rubi com reflexos castanhos
  • Olfato: frutas como ameixa, notas de couro e defumados com um perfume bem delicado de violeta.
  • Paladar: deixa a boca bem cheia, encorpado, saboroso, muito elegante com uma persistência marcante.

Nossas sugestões para harmonização com esse vinho são:

  • Carne vermelha assada na brasa com ervas e especiarias
  • Frango empanado com molho Roquefort
  • Chanfana de javali
  • Receitas indianas com toque de curry

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Além dessas combinações você também pode tomá-lo simplesmente sem comida nenhuma para que ele seja o protagonista.

Bom, agora que temos bastante informação sobre essa região francesa produtora com características bastante variadas de vinhos é hora de colocar em prática todo esse conteúdo. Então escolha um rótulo do Côtes du Rhône e desfrute combinando com alguma comida ou simplesmente aproveitando somente ele batendo um papo bacana com alguém ou simplesmente com você mesmo. A escolha é sua!!

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Lembrando que temos um vídeo disponível em nosso canal do YouTube sobre os vinhos do Côtes du Rhône. Confere lá!

Salud🍷🍷

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